segunda-feira, dezembro 25, 2006

O meu nascimento


Conta-me a minha mãe que foi pacífico. Que não houve problema nenhum, que foi o feliz ocaso de um período complicado. Eu não imagino assim. Imagino um eterno perído de aproximadamente 9 meses, onde o meu mundo aconchegante e limitado era suficiente para toda a vida. Vejo-me também sem compreender "toda a vida" sem preceber o que me esperava, sem perceber que iria "nascer". E que nascer é sofrer. E renascer é morrer.

Não sei se fiz um esforço para sair ou para ficar. Devo ter chorado, o primeiro de muitos choros. Devo ter mantido ao máximo os olhos fechados, como ainda mantenho. E de certeza que sem saber me apaixonei por todas as pessoas que naquele momento vi. Todas lindas e fascinantes. Tal continua a acontecer.

E tive toda a minha família à minha volta, toda feliz, como se os problemas torturosos que não conseguimos evitar por viver, não existissem. Como se no meu nascimento a vida fosse só "a vida".

Muitos anos passaram. Muitas vezes tentei voltar as nascer. Porque muitas vezes me sinto fechado convencendo-me que estou solto. Isolado por muita gente que circula à volta da mim, mas não em mim. E espero anestiziante o momento da libertação, da explosão do meu amor, do poder de manisfestar que amo todos. Que os amo a todos. Que todos são lindos, geniais, milagres.


pic by kibritcikiz

3 comentários:

skywalker disse...

Juro que já não sei onde li, mas sei que li num dos muitos blogs que visito...
Alguém (o dono do blog) dizia que achava estranho que os posts mais bonitos que publicava ninguém os comentava...
Alguém lhe comentou que o facto de não comentarem significava o que ele escrevia de tão bonito era tão superior que era impossível alguém comentar...

Por isso...
Faz de conta que não te comentei este post...

Ao fim e ao cabo tu não leste nada, pois não?

Bjs

Bee disse...

Concondo com o comentário da Skywalker, quase sempre o que escreves é tão lindo, profundo, poético que deixas-me literalmente sem palavras, mas repleta de sensações e emoções.

Raquel disse...

É o retrato de ti...perfeita descrição do teu ser: puro, genuíno! Nunca deixes de olhar o Mundo assim.
Bjs